A agricultura 4.0, baseada na hiperconectividade, está promovendo uma quebra nos ciclos produtivos na forma como são conhecidos hoje. A automação, um dos pilares desse processo, promoverá um deslocamento de 85 milhões de empregos em todo o mundo nos próximos cinco anos e, com os avanços dos robôs, serão criados 97 milhões de novos postos de trabalho em todas as áreas da economia, segundo o relatório The Future of Jobs, do Fórum Econômico Mundial. Antecipando o cenário dessa transformação mercadológica, nos últimos oito anos, o Sistema FAEMG/SENAR/INAES/Sindicatos promoveu 8.787 cursos, impactando 109 mil pessoas.

A automatização, aliada às outras ferramentas de inovação, pode gerar dados que facilitem a tomada de decisão, otimizando a utilização dos recursos no campo. Embora essa gama de possibilidades possa parecer inacessível, são adaptáveis e aplicáveis para diferentes perfis de produtores. Isso é o que afirma o analista de Formação Profissional Rural do Sistema FAEMG, Alexandre Martins. O futuro do meio rural será cada vez mais tecnificado.

“É natural que tenhamos atividades cada vez mais produtivas, equipamentos com controle de dados mais avançados e soluções eficientes e inovadoras para uma produção cada vez mais sustentável, com qualidade superior e lucrativa. É com esse olhar que, neste ano, o SENAR MINAS também lançará o curso de Rastreabilidade na Bovinocultura”.

No campo, a equipe do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), através do Projeto FIP Paisagens Rurais, já indica máquinas que automatizam o processo produtivo, garantindo a qualidade do produto. É o caso do produtor Walter de Carvalho Júnior, do município de Veríssimo, em Minas Gerais, que adquiriu todo o sistema de ordenha canalizada, com extrator e transferidor automático de leite: “As aquisições, além de proporcionarem comodidade, têm a vantagem de evitar a sobrecarga na ordenha, porque, além de medir a quantidade de leite automaticamente, facilita a administração da produção por animal”.

Em outra etapa da produção de leite, o pecuarista Antônio de Lourdes Blanco, também de Veríssimo, em Minas Gerais, adquiriu o transferidor de linha de chão, que facilita e agiliza o processo de transporte de leite até o tanque resfriador: “Não preciso me preocupar com o nível do latão de leite. Assim, é possível melhorar a qualidade do leite, já que há redução do tempo de contato entre o ambiente e o produto”.

Ao mesmo tempo em que o Sistema FAEMG capacita pessoas para aplicação e uso das ferramentas de automação, a entidade, por meio do INAES (Instituto Antonio Ernesto de Salvo) investe no relacionamento e desenvolvimento de agtechs, como são conhecidas as startups com soluções para o meio rural. Para a superintendente do INAES, Silvana Novais, esse é um processo sem volta e que impacta fortemente o processo produtivo: “Atualmente, estamos desenvolvendo diversas ações para apoiar empresas de base tecnológica que estejam conectadas com esse novo mundo e que apoiem nossos produtores rurais no processo de transformação no campo”.

NovoAgro Ventures

Entre as ações que o Sistema FAEMG desenvolve ou participa como parceiro, está a NovoAgro Ventures, a venture builder, estruturada em parceria com a FCJ, para o desenvolvimento de soluções tecnológicas para o agronegócio. Atualmente, duas startups do portfólio oferecem soluções de automatização para os produtores rurais. A RuhWater, para a gestão de recursos hídricos, e a Neo Farm, para o gerenciamento da propriedade rural.